quinta-feira, 4 de outubro de 2007

ESTENSORO, O MELHOR CAVALO DE TODOS OS TEMPOS - 07/10/2007

Ele só perdeu uma única vez no velho hipódromo dos Moinhos de Vento. E foi em sua estréia. Cercado de grande expectativa, face aos magníficos ensaios que produzira, este alazão, filho dos franceses Estoc e Perfidia, era pule de devolução. Largou frio, numa prova de 1200m, para potros perdedores, sob o comando de Antonio Ricardo que, assim como Estensoro, foi um jóquei primoroso, não teve até hoje quem lhe fizesse sombra. Para surpresa dos que conheciam seus antecedentes matinais, o potro do Haras do Arado tinha dificuldades para acompanhar a carreira. Na raça foi se aproximando, mas não passou de um segundo lugar para Senhoraço. Este entrou para a história. Não porque tenha sido um grande cavalo. Longe disso. Realizou uma campanha apenas medíocre. Porém, por ter batido ao craque, tornou-se imortal. É que essa foi a única derrota de Estensoro. Era o ano da graça de 1958. Depois de ganhar facilmente a prova de perdedores, Estensoro passou para a esfera clássica e foi acumulando vitórias espetaculares. O prado se enchia de gente a cada nova aparição do alazão do Dr. Breno Caldas. Mas este grande nome da criação gaúcha teimava em não ir ao prado. Assistia pelo rádio as corridas monumentais do seu craque. Cábula, quem sabe... Mas o fato é que ele perdeu de ver a quebra de vários recordes, um feito inédito até hoje na história do turfe portoalegrense. Estensoro ganhou dez grandes prêmios, culminando com Bento Gonçalves, a maior prova do turfe gaúcho, que, na época, era disputado em 3200m. Nessa trajetória sem igual, o pupilo de Ervandil Lopes foi acumulando recordes. Quebrou a marca da milha, dos 2200 e dos 3200 m. Não tinha mais nada a provar em Porto Alegre. Era até tríplice coroado. Seu proprietário então resolveu dar a cartada que o cavalo merecia. Levou-o ao Rio de Janeiro, para disputar o GP Brasil de 1959. Seu treinador foi junto e Estensoro logo retomou sua rotina de quebrar os relógios. Em seu último exercício de distância, o filho de Estoc bateu o recorde dos 3000 m da Gávea. E foi com esse cartel que ele se apresentou em agosto de 1959, para enfrentar os melhores cavalos da América latina. Nomes fulgurantes como os de Escorial, Narvik, Xaveco, o argentino Atlas e outros, eram os animais a enfrentar. Tarefa hercúlea, como se vê. Mas a enorme legião de gaúchos, presente ao hipódromo, não queria saber. Era Estensoro e a tropa! Porém, o canter da prova nos mostrou um Estensoro diferente daquele que estávamos acostumados a ver. Na raia duríssima, nosso craque fez um galope preliminar em que seu desconforto com a cancha de grama ficou patente. Veio a largada e o que se adivinhava no passeio se confirmou. Estensoro ficou lá atrás, pipocando na raia dura e lá de trás não saiu. Frustração geral. E o Dr. Breno dessa vez foi ao prado... Depois... o triste regresso da caravana de turfistas e do craque alazão. Constatou-se então que Estensoro estava com uma lesão no joelho. Foi "empapelado" e reapareceu em seguida, no GP Protetora do Turfe, pilotado por Clóvis Dutra. Ganhou como o craque que era. Despediu-se fazendo um desfile já no Hipódromo do Cristal. É óbvio que recebeu uma grande ovação. Em março de 1960, Estensoro ingressou na reprodução, no haras em que nasceu. Nunca houve um cavalo como ele!

6 comentários:

Hélio disse...

sou do Rio de Janeiro e era fã do Estensoro,mais me parece que seu trinador era Fernando Shenaider,estou errado?

INFORME TURFE disse...

Estás errado.O dr Breno levou de Poa o Ervandil Lopes, seu treinador em Poa. Não tenho certeza, mas parece que o Estensoro ficou alojado na cocheira do Fernando Schneider, daí talvez, a confusão. Se o treinador fosse o F. S., com certeza o craque não teria trabalhado os 3 km para recorde. Um abraço e volte sempre.Informe turfe

jose antonio disse...

Acompanhei toda a campanha de Estensoro, que tambem considero o melhor cavalo de corrida de todos os tempos, desde sua estreia ate a despedida, o comentario que faco e em relacao ao joquei na sua estreia, que foi Mario Rossano e nao Antonio Ricardo,que considerando sua epoca foi melhor que o filho que hoje e campeonissimo. Alguns mais fanaticos atribuiram que a derrota de Estensoro, na estreia, devido ao joquei

Luis disse...

Estensoro foi o Itajara de sua época.

Gilberto Werner disse...

Estensoro estreou em 1957 e não em 58. Montava-o o Mario Rossano e era o franco-favorito do páreo. Perdeu porque largou ¨frio¨ e mal, atrasando-se para último num páreo em 1.200 metros.Venceuo potro ¨Senhoraço¨ com Tarcílio Vieira. Estava lá e vi.
Depois no G.P.Brasil de 1958 perdeu NÃO porque ¨bateu¨ o recorde na Gávea dos 3.000 metros mas, sim, porque correu doente e na grama pela primeira vez. Antônio Ricardo, meu amigo, contou-me isso.Posteriormente, em 1958 mesmo, venceu o G.P.Protetora do Trufe, em redorde e o ¨Bento¨, segundo o ¨Dark Sauce¨, outro craque do Haras do Arado. Em janeiro de 1960 fez um ¨canter¨ de despedida com C. Dutra e foi ovacionado por todos os presentes no Hipódromo do Cristal, onde nunca correu.Gilberto Werner.

JairFerreira1947 disse...

Gilberto Werner. Estensoro estreou em 1958, com dois anos de idade, pois nasceu em 22/07/1955. Ainda em 1958 venceu um páreo comum e seis grandes prêmios: Assembleia Legislativa - 1200m, Criadores Rio-Grandenses - 1600m, Independência do Brasil - 1800m, Jockey Club do Rio Grande do Sul - 2200m (em 143s, igual ao recorde), Comparação - 2200m (em 142s3/5 ,recorde), Bento Gonçalves - 3200m (em 208s1/5, recorde). Em 1959 venceu as três provas da Tríplice Coroa: GP Lineu de Paula Machado - 1600m (em 100s4/5, recorde), GP Cruzeiro do sul - 2200m (em 142s, recorde) e GP Coronel Caminha - 3200m e ainda venceu o GP Protetora do Turfe - 2200m (em 141s , recorde) e o GP J.F. Assis Brasil -2200m (em 139s3/5, recorde). Correu o GP Brasil de 1959, vencido por Narvik, chegando em 11º lugar. Na areia, foi provavelmente o maior corredor que já houve no Brasil. Note-se que abordou 5 vezes a distância de 2200m, com recorde em todas as 5 vezes, cada vez por uma diferença maior. A marca de 139s3/5 que ele finalmente estabeleceu é extraordinária pois nenhum outro corredor baixou de 143s após a reforma da pista do Hipódromo dos Moinhos de Vento em 1944.